Os Apóstolos de Jesus: Quem eram e o que Significava ser Apóstolo?

APÓSTOLOS DE JESUS

Apóstolos de Jesus é um termo usado para identificar os primeiros líderes do movimento que se formou em torno de Jesus de Nazaré. Com o tempo, este termo tornou-se mais amplo e abrangeu também outros cristãos que cumpriram tarefas de destaque na área de evangelização e missões.

O QUE SIGNIFICA APÓSTOLO?

O vocábulo “apóstolo” do grego apóstolos, que significa “mensageiro” ou “enviado”.

Significa, portanto alguém enviado para uma missão por outrem.

A ESCOLHA DOS DOZE APÓSTOLOS DE JESUS

Jesus escolheu os primeiros apóstolos (Mc 3.14,15; Jo 15.16) depois de uma noite de oração, em busca da direção divina (Lc 6.12).

Os quatro evangelistas mencionam que havia doze líderes (Mt 10.1,2,5; 11.1; 20.17; Mc 4.10; 6,7; 9.35; Lc 6.13; 8.1; 22.3; Jo 6.67,70,71; 20.24).

Os apóstolos são relacionados quatro vezes nos evangelhos:

  1. Em Mateus 10.2-4;
  2. Em Marcos 3.16-19;
  3. E em Lucas 6.14-16;
  4. Também em Atos 1.13, onde Matias foi nomeado como substituto de Judas Iscariotes (At 1.12-26).

FATOS INTERESSANTES SOBRE OS APÓSTOLOS DE JESUS

Um estudo dessas listas e dos nomes apostólicos no evangelho de João revela fatos interessantes. Veja então:

1. Quatro dos apóstolos eram pescadores Pedro, André, Tiago e João.

Desses, Pedro, Tiago e João formavam um círculo de amizade mais próximo e estavam presentes com Cristo em várias ocasiões memoráveis.

Como a ressurreição da filha de Jairo (Mc 5.37; Lc 8.51), a Transfiguração (Mc 9.2; Lc 9.28) e a agonia no Getsêmani (Mc 14.32).

Às vezes, André era também incluído, como na ocasião em que os discípulos perguntaram a Jesus sobre quando o Templo seria destruído (Mc 13.3,4).

2. Tiago e João foram chamados de Boanerges, que significa, “filhos do trovão”.

Provavelmente referindo se ao “temperamento esquentado” deles (Mc 3.17).

3. Mateus ou Levi possivelmente tinha bom nível de instrução, um cobrador de impostos e considerado colaboracionista das autoridades romanas que dominavam a Palestina naquela época.

4. Tomé era chamado também de Dídimo, “o gêmeo” (Jo 11.16; 20.24).

5. Provavelmente Judas Iscariotes era o único judeu (não galileu) e Simão, chamado “o zelote” ou “o cananeu”, possivelmente era um revolucionário político.

Eles formavam um grupo heterogêneo e somente a lealdade comum a Jesus os mantinha juntos.

Eles o conheciam e amavam e queriam ser seus seguidores, embora frequentemente falhassem muito (Mt 8.26; 14.31; 16.8; 22.40-45; Mc 4.40; Lc 8.25; 12.28; Jo 20.24-28).

A RELAÇÃO DOS DOZE APÓSTOLOS COM JESUS

Havia muitas pessoas que desejavam seguir a Jesus e desse grande grupo Ele selecionou os setenta (Lc 10.1-20).

Alguns manuscritos trazem “setenta e dois” nos vv. 1,17), bem como os doze (Lc 9.1-6).

Mas, a escolha destes últimos tinha um propósito duplo.

O PROPÓSITO

Foram escolhidos “para que estivessem com ele, e os mandasse a pregar” e a fim de participarem do ministério de Jesus (Mc 3.14,15).

Essa seria uma tarefa cheia de desafios e que exigiria muito deles; mas o Senhor prometeu estar com eles e ajudá-los, mesmo após seu retorno ao Pai (Jo 14.18).

Ele enviaria o Espírito Santo, a fim de ensiná-los e capacitá-los para o testemunho cristão (Jo 14.26; 15.26,27).

Eles então seriam capazes de sair pelo mundo, a fim de compartilhar o Evangelho com outros.

No livro de João, após a ressurreição de Cristo, o Senhor lembra aos discípulos qual é a comissão deles:

“Assim como o Pai me enviou, eu vos envio” (Jo 20.21).

A PROXIMIDADE DELES COM JESUS

Devido ao grau de aproximação com Jesus, algum reconhecimento favorável deve ser dado ao “discípulo amado”, citado apenas no evangelho de João e nunca identificado pelo nome.

A tradição cristã geralmente assume que se tratava do próprio autor do quarto evangelho, embora haja discussão quanto a isso.

De qualquer maneira, o escritor deste livro notou que esse discípulo estava próximo a Jesus e foi quem lhe perguntou, durante a última Ceia, sobre a identidade do traidor (Jo 13.23-25).

O discípulo amado também estava presente durante a crucificação, quando lhe foi dada a responsabilidade de cuidar da mãe de Cristo (Jo 19.25-27).

Posteriormente, esteve presente com Pedro na cena do túmulo vazio e na pesca milagrosa no mar de Tiberíades (Jo 21.1,7,20).

Aparentemente, era uma figura bem conhecida nos círculos de amizade de João e gozava da total confiança de Jesus.

Outros discípulos são diferenciados também pela amizade com Jesus.

Em todas as listas com os nomes dos apóstolos, Pedro está em primeiro e Judas Iscariotes em último lugar.

Evidentemente Pedro era o líder do grupo e claramente serviu como porta-voz deles em várias situações (Mt 16.13-16; Mc 8.27-29; Lc 9.18-20; Jo 6.68,69).

No outro extremo da escala está a trágica figura de Judas, cujo ato de traição contra Jesus resultou como último nome nas listas.

Passou, portanto, a ser visto como traidor de “sangue inocente” e confessou seu pecado antes de se matar (Mt 27.3-10; cf. At 1.16-19).

A DEDICAÇÃO DOS DOZE APÓSTOLOS DE JESUS

Alguns dos apóstolos de Jesus eram provenientes de uma associação prévia com João Batista (Jo 1.35-42).

Haviam participado de um movimento nacional da volta para Deus, por parte do povo da aliança (cf. Mc 1.5; Mt 3.5).

Estavam conscientes da importância do arrependimento e tinham dado os primeiros passos para reafirmar o relacionamento com o Senhor (Mt 3.1-3; Lc 3.7-14).

Por isso prepararam-se a fim de receber a Jesus como o Libertador de Israel, há muito prometido.

Jesus também insistiu para que o povo se arrependesse, voltasse as costas para os pecados do passado e abrisse seus corações, a fim de crer nas boas novas de salvação (Mc 1.15; cf. Mt 3.2).

A RENÚNCIA

Para os doze, o chamado ao discipulado envolveria o abandono da cena da vida familiar, a fim de exercer um ministério itinerante com Jesus.

Assim, Pedro e André foram convocados por Cristo para ser pescadores de homens.

E, por isso, eles imediatamente, “deixando as redes, o seguiram” (Mc 1.16- 18; Mt 4.18-20).

O chamado para o discipulado implicava exigências radicais e envolveu um compromisso total.

Numa ocasião Pedro lembrou a Jesus os sacrifícios que ele e os outros discípulos fizeram:

“Nós deixamos tudo, e te seguimos!

O que, então, haverá para nós?” (Mt 19.27; cf. Mc 10.28; Lc 18.28).

Era totalmente natural que tal questão fosse levantada quando o custo do compromisso parecia tão elevado.

Em outra ocasião, Tomé disse estoicamente aos demais discípulos:

“Vamos nós também para morrer com ele” (Jo 11.16).

O próprio Jesus reconhecera a lealdade deles em meio a tempos difíceis e prometeu-lhes grandes bênçãos em seu reino, onde se sentariam em tronos e julgariam as doze tribos de Israel (Lc 22.28-30).

As alegrias da vida no reino de Deus seriam mais do que compensadoras por todos os sofrimentos e provações que passassem por sua causa (Mt 19.28,29; Mc 10,29,30; Lc 18.29,30).

O TREINAMENTO DOS DOZE APÓSTOLOS

O Senhor sabia que depois que Ele deixasse a Terra, outros terminariam sua missão.

Por isso, dedicou grande parte de seu tempo e atenção ao treinamento dos discípulos, especialmente dos doze.

Em público, Ele geralmente ensinava por meio de parábolas, mas, em particular, explicava tudo claramente aos discípulos.

Jesus falou-lhes a respeito da natureza de sua vida e seu trabalho, da necessidade de sua morte, da certeza de sua ressurreição e de seu retorno final em poder e grande glória.

Foram excelentemente ensinados por Jesus, o Mestre dos mestres, que era também o Senhor (Jo 13.13).

De fato, o título de “Mestre” foi usado com referência a Cristo mais frequentemente do que qualquer outro título nos evangelhos.

Certamente Ele dirigiu a maior parte de sua instrução para os que estavam mais próximos, para os quais confiou o futuro de sua Igreja.

A QUALIFICAÇÃO DOS DOZE APÓSTOLOS DE JESUS

Havia qualificações bem definidas para o apostolado, e Pedro as relacionou resumidamente em seu discurso em Atos 1.12-22.

Vários aspectos estão relacionados nessa declaração.

TER TESTEMUNHADO O MINISTÉRIO DE JESUS

Primeiro, para ser apóstolo, era preciso que a pessoa tivesse testemunhado todo o ministério público de Jesus, desde seu batismo até a ressurreição.

Assim, o propósito do testemunho ocular dos apóstolos foi enfatizado.

Lucas, na introdução de seu evangelho, destacou a importância dos apóstolos como “testemunhas oculares”, bem como “ministros da palavra” (Lc 1.2).

Assim, a maior ênfase possível era colocada nos fundamentos históricos da vida e obra de Jesus.

Seus milagres, ensinamentos, morte e ressurreição não eram fábulas, mas fatos solidamente comprovados, os quais os apóstolos podiam confirmar como testemunhas oculares.

Esse mesmo testemunho foi fortemente firmado nas palavras iniciais de 1 João (1.1-4).

PASSAR A ANUNCIAR A MORTE E RESSURREIÇÃO DE JESUS

Segundo o testemunho apostólico realçava a importância da cruz e da ressurreição.

Era do conhecimento público no primeiro século, em Jerusalém, que Jesus de Nazaré fora morto por meio de crucificação, e a inscrição informava isso a todos “em aramaico, latim e grego” (Jo 19.20).

Enquanto a execução foi atestada por muitas pessoas, os apóstolos corajosamente testemunharam sobre a veracidade da ressurreição de Cristo, e isso é repetidamente destacado na pregação deles (At 2.24,32; 4.10; 5.30-32; 13.30).

Os apóstolos declaravam solenemente que podiam testemunhar com certeza que Jesus estava vivo (At 3.15; 10.39-42; 13.31).

O testemunho deles, associado ao ensino das Escrituras (At 2.25-32; 3.17-26; 13.32-39), servia para confirmar a mensagem cristã.

Esse critério estava em harmonia com a bem conhecida lei judaica da evidência, a qual exigia que toda verdade fosse estabelecida pelo testemunho de duas ou três testemunhas um princípio que é ensinado repetidamente na Bíblia.

A fé cristã foi assim apresentada de maneira tal que honrou o princípio das múltiplas testemunhas.

A AUTORIDADE DOS APÓSTOLOS

O fato de que os apóstolos foram as testemunhas oculares de Jesus deu à mensagem deles uma autoridade exclusiva.

Foram escolhidos pelo Pai e pelo Filho como os comunicadores da mensagem cristã.

Além do mais, foram divinamente apontados como “ministros da Palavra” (Lc 1.2), e o Cristo ressurreto disse a eles: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e
Samaria, e até os confins da terra” (At 1.8).

O PAPEL DO APÓSTOLO PAULO

A mais excelente figura no cumprimento da missão apostólica foi a do apóstolo Paulo, cuja conversão é narrada três vezes no livro de Atos (At 9.1-19; 22.3-16; 26.9-18).

Aos olhos de Lucas, foi um evento de grande significado na história do cristianismo, pois Paulo, assim como os doze, foi comissionado divinamente (At 9.15,16; 22.14,15; 26.15-18).

Assim, Lucas ampliou seu uso do termo “apóstolo”, para incluir Paulo e
Barnabé, dois dos principais missionários entre os gentios (At 14.4,14).

Paulo tinha convicções muito fortes quanto ao seu apostolado (1 Co 1.1; 15.9; 2 Co 1.1; Cl 1.1).

Em várias ocasiões, insistiu em afirmar que era apóstolo, quando suas credenciais foram questionadas (1 Co 9.1,2; Gl 1.1; 1.15 a 2.10). Embora houvesse

“falsos apóstolos” na Igreja primitiva (2 Co 11.13; Ap 2.2), o papel de Paulo foi desempenhado por indicação divina.

Ele viu o Senhor ressuscitado e foi chamado para a obra pelo próprio Cristo.

Paulo afirmou o papel dos doze (1 Co 15.7; Gl 1.17), mas também reconhecia os “apóstolos” num sentido mais amplo, que incluía Tiago, irmão de Jesus (Gl 1.19), Silas e Timóteo (1 Ts 2.6,7), Andrônico e Júnia (Rm 16.7) e os “apóstolos da igreja” (2
Co 8.23).

CONCLUSÃO

Em resumo, os apóstolos tiveram a responsabilidade primária da proclamação do Evangelho e do cumprimento da Grande Comissão.

Foram as testemunhas oculares e os ministros da Palavra; a Igreja certamente foi edificada “sobre o fundamento dos apóstolos…” (Ef 2.20).

Estes foram seguidos por outros, como Estêvão e Filipe, que participaram juntamente com eles no labor evangelístico e missionário.

O apóstolo Paulo foi um excepcional líder na tarefa de levar o Evangelho ao mundo daquela época.

Os apóstolos claramente tinham um lugar especial na missão de Deus.

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